Número 33 - Año V

O despertar para a ciência na pré-escola

Escriben: Cleci Teresinha Werner da Rosa, Renato Heineck y Álvaro Becker Rosa

Cleci Teresinha Werner da Rosa: Mestre em Educação. Professora de Física - Renato Heineck: Mestre em Educação. Professor de Física - Álvaro Becker Rosa: Mestre em Engenharia. Professor de Astronomia. Universidade de Passo Fundo – RS/Brasil

Introdução

O texto abaixo refere-se ao relato de uma atividade desenvolvida junto a alunos de pré-escola – educação infantil sobre o tema astronomia. Esta experiência faz parte de um projeto envolvendo os professores de física da Universidade de Passo Fundo, RS/Brasil, no qual se desenvolvem atividades práticas/experimentais de física com alunos da educação infantil. O objetivo do projeto é fomentar na criança a curiosidade por descobrir o mundo que a cerca, cultivando o gosto pela ciência. A criança é naturalmente curiosa, investigativa e observadora, características que vão desaparecendo a medida que os estudos vão avançando, chegando ao ponto de aceitar os conhecimentos sem questiona-los. Essa situação vem se perpetuando ao longo dos anos e tem sido um dos fatores que tem contribuído para afastar os estudantes do ensino de física, criando um dogma em torno desta ciência.

A atividade desenvolvida

A opção pelo estudo da física e da astronomia já na educação infantil é defendida pelos professores da UPF como fundamentais para a formação da consciência critica da criança diante das descobertas dos processos tecnológicos presentes no cotidiano. Especificamente com relação ao estudo da astronomia, os professares destacam que questões como a origem da vida, a existência de vida fora da Terra, viagens a outros planetas, são focos de atenção de cientistas e cidadão comuns. Nesse sentido, discutir com as crianças tais questões proporcionará que no futuro se forme uma sociedade que seja capaz de entender e respeitar nossa posição no planeta e universo. Outro ponto destacado pelo grupo de professores é que atividades como estas nas séries iniciais contribuem para desmistificar a física e aproximar os estudantes dessa ciência. A prática do ensino de física nesse nível de escolaridade, contribuirá para a formação da consciência crítica da criança diante das descobertas e dos fatos científicos e tecnológicos presentes, de modo a contribuir para a chamada alfabetização científico-tecnológica, além de fomentar a curiosidade e a observação que fazem parte dessa faixa etária. A astronomia é especialmente apropriada para motivar os alunos a aprofundar conhecimentos em diversas áreas do saber, pois envolve, além da Física, a Biologia, a Química, a História, a Geografia e a Antropologia.

Durante o ano, a professora desenvolveu com seus alunos da pré-escola, temas relacionados a ciências naturais e contou com a participação dos professores de física da UPF, que em visitas a escola, desenvolveram com os alunos experimentos relacionados a fenômenos físicos presentes nas diferentes situações cotidianos dos alunos.

O projeto encerrou o ano com uma visita as dependências do Laboratório de Física da Universidade, oportunizando as crianças partilhar explicações sobre temas de suas curiosidades e viajar no mundo de descobertas e conhecimentos sobre o nosso universo. Nessa aula os alunos tiveram a oportunidade de visualizar de forma concreta como ocorrem os eclipses, quais as fases da Lua, como está disposto nosso sistema solar, de que forma o homem chegou a Lua, conhecer as réplicas em escala da Apolo 11, que levou o homem a Lua e do ônibus espacial.

O envolvimento dos estudantes nas atividades

A metodologia utilizada no desenvolvimento das atividades envolvia, além da participação ativa dos alunos nas experiências, a possibilidade de realizar questionamentos sobre o tema em qualquer momento. Esse fato, no inicio, parecia ser um entrave na realização dos experimentos programados pelos professores, porém com o avançar das aulas, percebeu-se que este era o ponto principal da atividade, dar a oportunidade de questionar no momento que os alunos julgassem necessário. Os questionamentos feitos pelos alunos da educação infantil, foram cuidadosamente registrados e respondidos pela equipe executora da atividade.

Alguns questionamentos merecem ser apresentados neste informe, pois mostram o envolvimento das crianças com o assunto e o conhecimento que ela tem sobre os fenômenos naturais, mesmo que sejam conceitos adquiridos de forma espontânea, sem os critérios e rigores que o conhecimento científico exige. Como que a Lua não cai na Terra? Por que é a Terra que gira em torno do Sol e não o Sol em torno da Terra? De que é formada a Lua? Por que as naves conseguem chegar a Lua e os aviões não? Como o homem leva ar para a Lua? Por que o foguete liberta os tanques vazios? Se existe alienígena por que eles não querem ser amigos nossos? Como o professor sabe tudo isso, se ele não consegue ir ao espaço?

Esses foram alguns dos questionamentos feitos pelas crianças ao observarem as explicações, as simulações e ao visualizarem as réplicas apresentadas pelos professores da Universidade. As respostas que muitas vezes eram dadas pelos próprios estudantes demonstram o envolvimento deles com o assunto. Desta forma, a atividade que parecia ser apenas mais uma, acabou por ter um destaque especial no projeto, pois possibilitou ao grupo de pesquisadores perceber que a astronomia é uma ciência que pode e deve ser abordada já nas séries iniciais. Os alunos nesta faixa etária apresentam curiosidade e questionamentos importantes referentes ao tema e que devem ser trabalhados pelos seus professores, pois a astronomia apresenta caráter multidisciplinar, possibilitando que vários temas relacionados a diferentes áreas do conhecimento sejam desenvolvidos a partir dela.

Considerações finais

A concepção de ensino de ciências, em particular de física, que se tem hoje é diferente da desenvolvida nas escolas anos atrás. Hoje, vários são os autores que defendem a iniciação de crianças nos estudos de conceitos científicos. A sociedade contemporânea vivencia um período de avanços e de extrema dependência da ciência e tecnologia. Não cabe mais ao professor apenas repassar informações, ele deve proporcionar em sala de aula um ambiente favorável a busca pelo conhecimento, a vontade de aprender. O papel do professor é de encorajar seus alunos a fazer conexões entre os conhecimentos desenvolvidos no ambiente escolar e os diversos eventos externos ao mundo da simulação, descobrindo a ligação entre a situação vivida e os conceitos trabalhados na escola.

Referenciais bibliográficos

ASTOLFI, Jean-Pierre; DEVALEY, Michel. A didática das ciências . Tradução, Magda S. S. Fonseca. 4. ed. Campinas, SP: Papirus, 1995.
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JAPIASSU, Hilton . A pedagogia da incerteza . Rio de Janeiro: Imagro, 1983.
___. Nascimento e morte das ciências humanas . 6.ed. São Paulo: Francisco Alves, 1991.
MOREIRA, Marco Antonio. Uma abordagem cognitiva ao ensino da física : a teoria de aprendizagem de David Ausubel como sistema de referência para a organização do ensino de ciências. Porto Alegre: Ed. da Universidade UFRGS, 1983.
REGO, Teresa C. Uma perspectiva histórico-cultural da educação . 4.ed. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Ltda, 1995.


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